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Das aleatoriedades

Hoje o dia não amanheceu lindamente cinza, o céu se encontra no tom claro de azul e os passarinhos estão cantando no quintal do vizinho.

O sol amanheceu mais preguiçoso do que eu e espero que ele permaneça assim, amém.

Todos temos preferência por algo, eu por exemplo: adoro madrugadas de domingo pra segunda e tomar café com leite e leite em pó com colher. 

Por mim todos os dias seriam cinza, apesar deu saber que o sol também é importante e merece uma chance.

Durmo com um travesseiro pra cabeça, outro para o meio das pernas e um terceiro para os dias de carência aguda.

Cartas, bilhetes, post's, guardanapos e rascunhos todos rabiscados com lapiseira e uma letra caseira, #aletradaspessoas. Nunca gostei de corretivo.

Aleatoriamente tô me esvaziando, como uma pia entupida que aproveita as brechas para escorrer.

"Eles passarão, eu passarinho"


Tô passando por mais um daqueles momentos em que a vida se bagunça toda, e quando digo isso é porque foi tudo revirado e deixado de qualquer jeito, e como em todas as vezes eu me sento, na verdade eu me deito e fico só observando, porque sempre tem mais alguma coisa pra se soltar do teto e não quero nada caindo na minha cabeça, já me basta o coração que se encontra em farelos e o sangue ralo que me corre nas veias.

A gente só repara o estrago quando ele já não cabe mais embaixo do tapete, quando o sorriso amarelo não aparece, quando qualquer motivo é o suficiente pra fazer os olhos lacrimejarem e quando não se tem motivos pra sair da cama. Eu sei que é fase, eu sei que vou sobreviver, eu sei que tudo vai melhorar, eu sei ... mas às vezes eu esqueço, enlouqueço e não me reconheço.


A som de: Cartola, "Preciso me encontrar".
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Se a gente não se vigiar acaba se perdendo. Os primeiros dias de distância a saudade grita tão alto que ficamos cegos, mas o correr dos dias parece abafar esse som e daí se a gente não vigiar acaba se perdendo. Esquecemos de voltar, deixamos de procurar e por fim deixamos pra lá. No começo toda dor é sentida, mas como somos animais estranhos a dor com o tempo se torna aceitável e indolor.
Vez em quando sinto o peso da vida inteira sobre as minhas costas, como se todos os meus excessos de antes me cobrassem algo no presente, e vice e versa. A verdade é que eu me cobro demais, e pouco faço para suprir minhas expectativas. Me encontro num período chato de quase apatia, quase um foda-se-tudo-eu-posso-continuar-vivendo-no-automático, mesmo sabendo o quão prejudicial é e quanto tempo eu perco nesse movimento. As coisas não estão ruins, mas elas não estão na plenitude que poderia estar. Muitas coisas me incomodam e pouco consigo fazer para mudar, me deixando num confortável estado de reclamação-irritação-ok. Eu não sei direito o que fazer. Não sei.
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Eu erro, sou um ser humano formado de erros, conheço bem os meus defeitos e sei até onde vai o meu limite. Sei que quando eu erro eu vou atrás, percebo que mesmo quando não estou errado eu peço desculpa para manter a paz. Acho que isso é uma bela qualidade que eu tenho. Sei que já falei isso muitas vezes, eu sou uma pessoa com uma personalidade que é difícil e todas as pessoas tem uma personalidade diferente, umas combinam, outras não e aí existem os conflitos. Sei muito bem que tenho que abrir mão de muita coisa e tenho que aprender a lidar com muitas outras coisas e outras pessoas, mas também é necessário que as pessoas que eu tento lidar, saibam que também é necessário para elas que aprendam a conviver comigo também, é como todo relacionamento, os dois tem que estar disposto a mudar, a melhorar, a caminhar juntos. Se isso não existe, o relacionamento pode acabar na mesma hora porque não vai mudar nada e a única coisa que vai acontecer será manter mágoa e raiva um do outro e raiva e mágoa são coisas que eu não guardo... tenho medo de câncer!

Sinais de fumaça

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Olá... tem alguém ai???
Estou aqui... alguém?
Pra quem achou que eu estava morto e enterrado, estou aqui pra dizer que: não, não estou.

Um ano sem dar a miníma pra essa pocilga que eu chamo de blog, mas né... sem ele não sou.
Acontece que sai, definitivamente, debaixo da barra-da-saia de minha rainha e cortei o cordão-umbilical com a mamãezinha. Há 10 meses sou sócio do meu próprio barraco, ajudando a organizar/pagar as contas e comandando as faxinas. Assumi a minha posição de adulto mais ou menos pra não perder meu charme jovial, mas não será necessário deixar de lado as vantagens de ser um eterno adolescente (rs). Agora eu sou dois em um e mais quatro filhos peludos e contando. Não respondo mais no singular, meus verbos são conjugados na primeira pessoa do plural. Aprendi a lavar, passar e acho que a cozinhar também e ensinei que purê-de-batata é um manjá! Beijos de 'bom dia' todas as manhãs, antes mesmo de escovar os dentes. Tá bom assim, e espero/quero que continue de janeiro à janeiro, até o mundo acabar.

Nosso dia 8



Sobre amor: não desista tão fácil.

De alguma forma, eu acho que está rondando por aí um conceito errado de amor. Vamos deixar claro desde o inicio, não é como se eu tivesse a fórmula definitiva do amor e soubesse quando ele existe ou não, quando ele está certo ou não. Mas, algumas coisas, algumas atitudes, eu não posso simplesmente ver e achar que é questão de "cada um com seu cada qual". Algumas coisas vão além. E ver essas coisas me deixa um tanto aflito. O meu conceito de amor é que está errado, então?

Senão, vejamos. Eu vi por aí (sei de vários!) fim de longo namoro porque o namoro em questão tinha se transformado em uma grande amizade. E que sem paixão não dá pra viver. E que não dá pra viver amando o melhor amigo.

Eu não consigo concordar com isso. Respeito o sentimento alheio, mas não entendo. Eu entendo que no meio do caminho de um relacionamento de anos você pode "enjoar" da pessoa e não querer estar mais com ela. Você pode sentir falta daquela paixão avassaladora do começo, pode querer sentir tudo aquilo de novo. Mas, será? Será que esse é o ideal, viver constantemente em uma montanha-russa?

Quando penso em passar o resto da minha vida com uma pessoa, não penso que ficarei todo dia desesperado de paixão, pensando nela o tempo todo, chorando se ela não está. Eu me imagino vivendo aqui e a pessoa lá, com a gente se encontrando no final do dia, compartilhando a nossa vida. Uma parceria. Uma grande amizade, por que não?

A maioria das pessoas querem um amor de cinema, das grandes paixões fulminantes e dois anos depois se cansam e decretam que acabou. Não parecem perceber que o amor não é assim, ele é construído todo dia. E que a pessoa do seu lado certamente terá um monte de defeitos e justamente por isso vocês devem continuar juntos. Porque, sabe, não existe ninguém no mundo que não seja insuportável. Eu sou, você é. Seu namorado é. Mas, é essa pessoa que estará contigo até o final e é com ela que você deve se preocupar. Não com as possibilidades lá fora, todo um mundo de pessoas que esbravejam alegremente a solteirice e choram baixinho de solidão sem contar pra ninguém.

Eu não consigo imaginar como pode ser um defeito o amor da minha vida ser o meu melhor amigo. É claro que amar o seu melhor amigo não é garantia de um compromisso eterno (nada é garantia pra isso). Mas, se apaixonar loucamente também não é.

Seria bacana se as pessoas tentassem um pouco mais. Vejam que a vida não é fácil, que é maravilhoso ter do seu lado alguém que você conhece, que sabe das suas manias e dos seus defeitos. E que, mesmo assim, está do seu lado. Apaixone-se pelo amor que vocês tem um pelo outro. Enquanto houver amor, tente.

do Carpinejar

Espero alguém que não tenha medo do escândalo, mas tenha medo da indiferença. Espero alguém que ponha bilhetinhos dentro daqueles livros que vou ler até o fim. Espero alguém que nunca abandone a conversa quando não sei mais falar. Espero alguém que, nos jantares entre os amigos, dispute comigo para contar primeiro como nos conhecemos. Espero alguém que prove que amar não é contrato, que o amor não termina com nossos erros. Espero alguém que não se irrite com a minha ansiedade. Espero alguém que arrume ingressos de teatro de repente, que me sequestre ao cinema, que cheire meu corpo suado como se ainda fosse perfume. Espero alguém que não largue as mãos dadas nem para coçar o rosto. Espero alguém que me olhe demoradamente quando estou distraído, que me telefone para narrar como foi seu dia. Espero alguém que procure um espaço acolchoado em meu peito. Espero alguém que leia uma notícia, veja que haverá um show de minha banda predileta, e corra para me adiantar por e-mail. Espero alguém que fique me chamando para dormir, que fique me chamando para despertar, que não precise me chamar para amar. Espero alguém com uma vocação pela metade, uma frustração antiga, um desejo de ser algo que não se cumpriu, uma melancolia discreta, para nunca ser prepotente. Espero alguém que comente sua dor com respeito e ouça minha dor com interesse. Espero alguém que pinte o muro onde passo, que não se perturbe com o que as pessoas pensam a nosso respeito. Espero alguém que vire cínico no desespero e doce na tristeza. Espero alguém que curta o domingo em casa, acordar tarde e andar de chinelos, e que me pergunte o tempo antes de olhar para as janelas.

Fabrício Carpinejar

Sem drama sem drama sem drama

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A doença serve pra ganhar carinho ou pra mostrar o quanto vale a vida? Ou apenas seu corpo pedindo que cuide um pouco mais de si?

A pergunta serve para ser respondida? Ou apenas pra gerar mais perguntas? Talvez não valha a pena.

Eu sempre soube que de nada ia adiantar mudar a cena, trocar o lugar. Amanhã pode ser um dia diferente pra te mostrar que por mais ruim que esteja, pode piorar.

O amanhã pode ser um dia diferente com os mesmos acontecimentos.