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do Carpinejar

Espero alguém que não tenha medo do escândalo, mas tenha medo da indiferença. Espero alguém que ponha bilhetinhos dentro daqueles livros que vou ler até o fim. Espero alguém que nunca abandone a conversa quando não sei mais falar. Espero alguém que, nos jantares entre os amigos, dispute comigo para contar primeiro como nos conhecemos. Espero alguém que prove que amar não é contrato, que o amor não termina com nossos erros. Espero alguém que não se irrite com a minha ansiedade. Espero alguém que arrume ingressos de teatro de repente, que me sequestre ao cinema, que cheire meu corpo suado como se ainda fosse perfume. Espero alguém que não largue as mãos dadas nem para coçar o rosto. Espero alguém que me olhe demoradamente quando estou distraído, que me telefone para narrar como foi seu dia. Espero alguém que procure um espaço acolchoado em meu peito. Espero alguém que leia uma notícia, veja que haverá um show de minha banda predileta, e corra para me adiantar por e-mail. Espero alguém que fique me chamando para dormir, que fique me chamando para despertar, que não precise me chamar para amar. Espero alguém com uma vocação pela metade, uma frustração antiga, um desejo de ser algo que não se cumpriu, uma melancolia discreta, para nunca ser prepotente. Espero alguém que comente sua dor com respeito e ouça minha dor com interesse. Espero alguém que pinte o muro onde passo, que não se perturbe com o que as pessoas pensam a nosso respeito. Espero alguém que vire cínico no desespero e doce na tristeza. Espero alguém que curta o domingo em casa, acordar tarde e andar de chinelos, e que me pergunte o tempo antes de olhar para as janelas.

Fabrício Carpinejar

ilusões perdidas


"Hoje eu acordei com medo mas não chorei nem reclamei abrigo. Do escuro eu via um infinito sem presente, passado ou futuro. Senti um abraço forte, já não era medo era uma coisa sua que ficou em mim, de repente a gente vê que perdeu ou está perdendo alguma coisa morna e ingênua que vai ficando no caminho, que é escuro e frio mas também bonito porque é iluminado pela beleza do que aconteceu há minutos atrás."

Poema - Cazuza


Estranha sensação de desconforto, de medo de ser real, que grande bobagem eu penso, então por que eu sinto? Não devo mais andar por aí desavisado, não posso mais deixar que esse tipo de coisa chegue a ser sensação. Ser livre é ser livre e eu tenho que me lembrar disso sempre, não há nada, nem ninguém à quem eu deva depender, à que seja perfeito. Eu não posso esperar por isso, e meu coração tem se acostumado, é difícil. Como é difícil pra mim, pra quem cresceu e sempre viveu assim, ser só e sempre ser só é o maior desafio da minha vida.
Cazuza escreveu o que os ventos sopram em silêncio no meu ouvido e por esses mesmos ventos fizeram com que Ney gravasse essa canção perdida. Poema.
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"Eu acho que tenho essa ironia, esse deboche sim. É uma autodefesa, porque as pessoas são fogo mesmo. Então a gente tem que jogar um pouco com o deboche, com o cinismo para não se machucar."

Cazuza
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"Eu não te culpo. Eu no seu lugar faria o mesmo, talvez. É que eu sou uma pessoa difícil de lidar, de conviver, de amar."

Querido John
"Ah, meu amor, meu peito ainda bate pela certeza - meio incerta - de que um dia tudo passa."
Caio Fernando Abreu

Pra ser sincero

"Pra ser sincero não espero de você mais do que educação, beijo sem paixão, crime sem castigo, aperto de mãos, apenas bons amigos... Pra ser sincero não espero que você minta! Não se sinta capaz de enganar quem não engana a si mesmo.
Nós dois temos os mesmos defeitos, sabemos tudo a nosso respeito, somos suspeitos de um crime perfeito, mas crimes perfeitos não deixam suspeitos.
Pra ser sincero não espero que você me perdoe por ter perdido a calma, por ter vendido a alma ao diabo. Um dia desse, num desses encontros casuais talvez a gente se encontre, talvez a gente encontre explicação. um dia desses, num desses encontros casuais talvez eu diga: "-Minha amiga, pra ser sincero, prazer em vê-la! Até mais.""
Engenheiros do Hawaii
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"Algumas pessoas, quando sentem essa vontade de sabe-se-lá-o-quê, fumam um cigarro ou fogem para a Irlanda. Outras resolvem sair na rua e pedir alguém em namoro. Não entendo. Têm gente que não consegue se afeiçoar à própria mãe e acha que vai amar até a morte um sujeito qualquer que conheceu no banheiro de uma festa idiota."
[Gabito Nunes]
"Sempre fui um pouco áspero, fechado, sempre tive dificuldade de receber amor. Na verdade, eu sempre precisei de afeto, só que antes eu não admitia."   Caio Fernando Abreu

pedaço.


"Porque amar também é isso, não? Dar o seu melhor pra curar outra pessoa de todos os golpes, até que ela fique bem e te deixe pra trás, fraco e sangrando. Daí você espera por alguém que venha te curar. Às vezes esse alguém aparece, outras vezes, não. E pra ela? Por quem ela espera? E assim, aos poucos, ela se esquece dos socos, pontapés, golpes baixos que a vida lhe deu, lhe dará. A moça – que não era Capitu, mas também têm olhos de ressaca – levanta e segue em frente. Não por ser forte, e sim pelo contrário… Por saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência. E ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda. Afinal, foi chorando que ela, você e todos os outros, vieram ao mundo."
Caio Fernando Abreu

pedaço.

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"[...] nada estava em sintonia, nunca. As pessoas vão se agarrando às cegas a tudo que existe: comunismo, comida natural, zen, surf, balé, hipnotismo, encontros grupais, orgias, ciclismo, ervas, catolicismo, halterofilismo, viagens, retiros, vegetarianismo, índia, pintura, literatura, escultura, música, carros, mochila, ioga, cópula, jogo, bebida, andar por aí, iogurte congelado, beethoven, bach, buda, cristo, heroína, suco de cenoura, suicídio, roupas feitas à mão, voos a jato, nova york, e aí tudo se evapora, se rompe em pedaços. As pessoas têm de achar o que fazer enquanto esperam a morte. acho legal ter uma escolha."


Charles Bukowski
"que novembro me traga todos os sorrisos que outubro me roubou" 

amén caio ...
"E nem sempre as coisas são como você gostaria que fosse... A pior coisa é gente que tem medo de se envolver. Se alguém vier com este papo, corra, afinal você não é terapeuta. Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível. Na vida e no amor, não temos garantias."
Arnaldo Jabor
                      
Sr. Arnaldo Jabor, estou preferindo namorar uma ‘comigo ninguém pode'.
Atenciosamente, Thaee.

Amor bom é facinho - Ivan Martins

Há conversas que nunca terminam e dúvidas que jamais desaparecem. Sobre a melhor maneira de iniciar uma relação, por exemplo. Muita gente acredita que aquilo que se ganha com facilidade se perde do mesmo jeito. Acham que as relações que exigem esforço têm mais valor. Mulheres difíceis de conquistar, homens difíceis de manter, namoros que dão trabalho - esses tendem a ser mais importantes e duradouros. Mas será verdade?

Eu suspeito que não.

Acho que somos ensinados a subestimar quem gosta de nós. Se a garota na mesa ao lado sorri em nossa direção, começamos a reparar nos seus defeitos. Se a pessoa fosse realmente bacana não me daria bola assim de graça. Se ela não resiste aos meus escassos encantos é uma mulher fácil – e mulheres fáceis não valem nada, certo? O nome disso, damas e cavalheiros, é baixa auto-estima: não entro em clube que me queira como sócio. É engraçado, mas dói.

Também somos educados para o sacrifício. Aquilo que ganhamos sem suor não tem valor. Somos uma sociedade de lutadores, não somos? Temos de nos esforçar para obter recompensas. As coisas que realmente valem a pena são obtidas à duras penas. E por aí vai. De tanto ouvir essa conversa - na escola, no esporte, no escritório - levamos seus pressupostos para a vida afetiva. Acabamos acreditando que também no terreno do afeto deveríamos ser capazes de lutar, sofrer e triunfar. Precisamos de conquistas épicas para contar no jantar de domingo. Se for fácil demais, não vale. Amor assim não tem graça, diz um amigo meu. Será mesmo?

Minha experiência sugere o contrário.

Desde a adolescência, e no transcorrer da vida adulta, todas as mulheres importantes me caíram do céu. A moça que vomitou no meu pé na festa do centro acadêmico e me levou para dormir na sala da casa dela. Casamos. A garota de olhos tristes que eu conheci na porta do cinema e meia hora depois tomava o meu sorvete. Quase casamos? A mulher cujo nome eu perguntei na lanchonete do trabalho e 24 horas depois me chamou para uma festa. A menina do interior que resolveu dançar comigo num impulso. Nenhuma delas foi seduzida, conquistada ou convencida a gostar de mim. Elas tomaram a iniciativa – ou retribuíram sem hesitar a atenção que eu dei a elas.

Toda vez que eu insisti com quem não estava interessada deu errado. Toda vez que tentei escalar o muro da indiferença foi inútil. Ou descobri que do outro lado não havia nada. Na minha experiência, amor é um território em que coragem e a iniciativa são premiadas, mas empenho, persistência e determinação nunca trouxeram resultado.

Relato essa experiência para discutir uma questão que me parece da maior gravidade: o quanto deveríamos insistir em obter a atenção de uma pessoa que não parece retribuir os nossos sentimos?

Quem está emocionalmente disponível lida com esse tipo de dilema o tempo todo. Você conhece a figura, acha bacana, liga uns dias depois e ela não atende e nem liga de volta. O que fazer? Você sai com a pessoa, acha ela o máximo, tenta um segundo encontro e ela reluta em marcar a data. Como proceder a partir daí? Você começou uma relação, está se apaixonando, mas a outra parte, um belo dia, deixa de retornar seus telefonemas. O que se faz? Você está apaixonado ou apaixonada, levou um pé na bunda e mal consegue respirar. É o caso de tentar reconquistar ou seria melhor proteger-se e ajudar o sentimento a morrer?

Todas essas situações conduzem à mesma escolha: insistir ou desistir?

Quem acha que o amor é um campo de batalha geralmente opta pela insistência. Quem acha que ele é uma ocorrência espontânea tende a escolher a desistência (embora isso pareça feio). Na prática, como não temos 100% de certeza sobre as coisas, e como não nos controlamos 100%, oscilamos entre uma e outra posição, ao sabor das circunstâncias e do tamanho do envolvimento. Mas a maioria de nós, mesmo de forma inconsciente, traça um limite para o quanto se empenhar (ou rastejar) num caso desses. Quem não tem limites sofre além da conta – e frequentemente faz papel de bobo, com resultados pífios.

Uma das minhas teorias favoritas é que mesmo que a pessoa ceda a um assédio longo e custoso a relação estará envenenada. Pela simples razão de que ninguém é esnobado por muito tempo ou de forma muito ostensiva sem desenvolver ressentimentos. E ressentimentos não se dissipam. Eles ficam e cobram um preço. Cedo ou tarde a conta chega. E o tipo de personalidade que insiste demais numa conquista pode estar movida por motivos errados: o interesse é pela pessoa ou pela dificuldade? É um caso de amor ou de amor próprio?

Ser amado de graça, por outro lado, não tem preço. É a homenagem mais bacana que uma pessoa pode nos fazer. Você está ali, na vida (no trabalho, na balada, nas férias, no churrasco, na casa do amigo) e a pessoa simplesmente gosta de você. Ou você se aproxima com uma conversa fiada e ela recebe esse gesto de braços abertos. O que pode ser melhor do que isso? O que pode ser melhor do que ser gostado por aquilo que se é – sem truques, sem jogos de sedução, sem premeditações? Neste momento eu não consigo me lembrar de nada.


Fonte: 
http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI244764-15230,00.html

Algo sincero

 
"É melhor ser alegre que ser triste. Alegria é a melhor coisa que existe, é assim como a luz no coração. Mas pra fazer um samba com beleza é preciso um bocado de tristeza, senão, não se faz um samba não"
Samba da benção - Vinicius de Moraes


    Me pego sempre me questionando se essa é a minha vida, se essa é a minha história. Se o que eu faço esta certo, ou se o que deixo de fazer foi errado. Nunca acho a conclusão. E a vida segue nessa charada, nessa interrogação que só me traz chuvas internas.

    Faz algum tempo que o meu riso não é feliz. Não tenho medo de falar isso em público porque não preciso colocar tarjas em meus olhos pra que pensem que estou feliz, quando não estou. Sou o que sou. Triste, mas sou. Não me taxo como uma pessoa pessimista, que vê tudo da pior forma... NÃO MESMO! Aceito os desafios. Erro constantemente. Arrisco! Encaro tudo como possibilidades.

   Sou uma pessoa louca... Pra ir embora daqui. Mas queria ir embora e levar algumas coisas/amigos junto. Preciso conhecer novas pessoas. Preciso respirar novos ares, dar lado á novos horizontes. Aqui, onde vivo, meus sonhos estão sendo silenciados pelas dores. Pelas chateaçoes cotidianas...

    Queria novas oportunidades. Me falaram que "somos nós quem fazemos nossas oportunidades", até concordo, mas eu já tentei e tentei e tentei tanto que... Sabe?

    Me pergunto também porque de tanta saudade.Sinto saudade de coisas que não fiz. Além de, claro... Saudade das pessoas que eu não vejo a muito tempo, das amizades que guardo no meu coração com um cadeado dourado, pra que não roubem de mim, mas que estão perto e distantes ao mesmo tempo.

   Saudade de sentir pulsando algo aqui dentro. Saudade de estar vivinho da Silva e colorido novamente. Num azul mais extasiante do que o encontro entre céu e mar no horizonte. A saudade se transforma em carência, e carência demais, se transforma em... tristeza!

    Sinto falta dos meus filmes, que só eu entendo/gosto. Dos livros que não terminei de ler, das músicas que falam alto no meu íntimo mais íntimo. Das horas de conversas sem sentido ao telefone. Da caminhada de fim de tarde no parque. Da coerência dos meus textos... Dos meus amores correspondidos.

    Os dias tem passado assim: Dormir, comer, estudar, ficar na internet fazendo coisas idiotas, escrever, ler, ler, ler, ler, ouvir minhas músicas preferidas.
    Sim, são coisas normais. Eu sei. E afinal, são as minhas coisas... Mas eu quero algo chamado EMOÇÃO. Só isso. Não acho estar pedindo demais, né?

    Essas coisas, assim... sem coerência, sem sentido ou nexo... Estavam aqui guardadas e precisavam sair um pouco pra dar uma volta. - Escrevi. Aliviou. - Mesmo que por pouco tempo, mas já me sinto melhor.

Fica então o Samba da Benção, pra quem não entende o que é ser assim, talvez 'triste'...

Só que eu sou alegre assim, sambando meu rock 'n' roll triste.


PS: postado dia 18/06/10, mas poderia perfeitamente ter sido hoje.

caótico

“Fiquei pensando se não terei deixado o essencial — e o essencial eram as coisas que coloriram a minha vida nesses dois anos sem cor.”
 Caio Fernando Abreu

PS: eu não consigo parar de desistir de tudo.

Alguém como você


Adele disse: "às vezes o amor dura. mas, às vezes, fere em vez disso...". e eu concordei!
sem mais.

De uma pobreza alagoana

"Será que desisti do amor? Que alívio. É um processo que vem se arrastando há uns quatro anos, desde o que chamo de 'The Big Disaster', agora parece que con-so-li-dou-se.

Será que é a idade?

Fico ouvindo as pessoas naquele rodenir de ligou?-vou-ligar-não-sei-se-ligo-se-ligar-dizque-saí etc&etc.

Eu acho de uma pobreza alagoana".

 [Caio F. Abreu em carta para Magliani]

Do que precisamos de verdade

Posted in
"Há certas horas, em que não precisamos de um amor...
Não precisamos de paixão desmedida...
Não queremos beijo na boca...
E nem corpos a se encontrar na maciez de uma cama.
Há certas horas, que só queremos a mão no ombro, o abraço apertado ou mesmo o estar ali, quietinho, ao lado. Sem nada dizer...
Há certas horas quando sentimos que estamos para chorar, que desejamos uma presença amiga, a nos ouvir paciente, a brincar com a gente, a nos fazer sorrir.
Alguém que ria das nossas piadas sem graça... Que ache nossas tristezas as maiores do mundo... Que nos teça elogios sem fim... E que apesar de todas as mentiras úteis, nos seja de uma sinceridade inquestionável.
Que nos mande calar a boca ou nos evite um jesto impensado.
Alguém que nos possa dizer: "Acho que você está errado, mas eu estou do seu lado".
Ou alguém que apenas diga: "Sou seu amor! E estou aqui"."

William Shakespeare, Só podia ser­­­­­­­­­­­­­­­­

e o que tem para a colher?

Enquanto isso na maior sala de desocupados do mundo:


@_thaee diz:
dizem que pra todo garfo há uma faca, mas eu me sinto uma colher.

@SpacekVictor  diz:
Na Italia come-se macarrão com Colher e Garfo... #fikdik


@_thaee diz:
antes ser uma uma colher solitária do que ter que dividir meu garfo com uma faca vadia.

que viadisse...

500 dias com ela


"Se Tom aprendeu alguma coisa é que não se atribui um grande significado cósmico a um simples evento na terra. Coincidência. É tudo que qualquer coisa é. Nada mais que coincidência. Tom finalmente aprendeu que não existem milagres. Não existe essa coisa de destino. Nada é para ser, agora ele tinha certeza absoluta."

 E Thaee também aprendeu.