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Das aleatoriedades

Hoje o dia não amanheceu lindamente cinza, o céu se encontra no tom claro de azul e os passarinhos estão cantando no quintal do vizinho.

O sol amanheceu mais preguiçoso do que eu e espero que ele permaneça assim, amém.

Todos temos preferência por algo, eu por exemplo: adoro madrugadas de domingo pra segunda e tomar café com leite e leite em pó com colher. 

Por mim todos os dias seriam cinza, apesar deu saber que o sol também é importante e merece uma chance.

Durmo com um travesseiro pra cabeça, outro para o meio das pernas e um terceiro para os dias de carência aguda.

Cartas, bilhetes, post's, guardanapos e rascunhos todos rabiscados com lapiseira e uma letra caseira, #aletradaspessoas. Nunca gostei de corretivo.

Aleatoriamente tô me esvaziando, como uma pia entupida que aproveita as brechas para escorrer.

Laços de sangue são apenas sangue

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A caneca com capuccino soltando fumaça ao meu lado me lembra que a noite é fria, músicas com letras que gritam uma verdade solitária, que anos depois eu viria a descobrir ser dividida por um punhado de pessoas bonitas, tão bonitas quanto eu, mas eu não via isso na época e eu confesso que não é difícil de enxergar em madrugadas como essa.

Quando lembro de você, principalmente em madrugadas assim, em noites em que eu me sinto sozinho e faço rascunhos sobre os motivos pelos quais não sou, a tristeza é sempre a mesma. Foram alguns episódios onde eu esperei alguma coisa e a sua resposta foi o silêncio. O rancor que eu tenho no peito é uma coisa amarga e horrível, é uma pena que isso impeça qualquer coisa entre nós. Desculpe por isso.

Eu preciso ser melhor que você, e eu vou ser tão melhor, mas tão melhor que madrugadas assim vão ser uma lembrança falha, desculpe, mas eu já sou tão melhor que você.

Às vezes eu me esqueço.

ilusões perdidas


"Hoje eu acordei com medo mas não chorei nem reclamei abrigo. Do escuro eu via um infinito sem presente, passado ou futuro. Senti um abraço forte, já não era medo era uma coisa sua que ficou em mim, de repente a gente vê que perdeu ou está perdendo alguma coisa morna e ingênua que vai ficando no caminho, que é escuro e frio mas também bonito porque é iluminado pela beleza do que aconteceu há minutos atrás."

Poema - Cazuza


Estranha sensação de desconforto, de medo de ser real, que grande bobagem eu penso, então por que eu sinto? Não devo mais andar por aí desavisado, não posso mais deixar que esse tipo de coisa chegue a ser sensação. Ser livre é ser livre e eu tenho que me lembrar disso sempre, não há nada, nem ninguém à quem eu deva depender, à que seja perfeito. Eu não posso esperar por isso, e meu coração tem se acostumado, é difícil. Como é difícil pra mim, pra quem cresceu e sempre viveu assim, ser só e sempre ser só é o maior desafio da minha vida.
Cazuza escreveu o que os ventos sopram em silêncio no meu ouvido e por esses mesmos ventos fizeram com que Ney gravasse essa canção perdida. Poema.

Sobre estar bem

Me agarrando a cada detalhe desse sentimento. Todas as cores, sabores, texturas, cheiros. Porque é esse o sentimento. São essas as sensações. É esse sorriso querendo sair no canto da boca. O ar entrando leve nos pulmões. É sobre estar tudo bem apesar dos pesares. É sobre estar tudo bem ter engordado um pouco. Sim. É sobre estar tudo bem.



Está tudo bem!

eu tenho tanto medo de um dia olhar pra trás e ver grandes espaços em branco. porque é como a minha vida parece algumas vezes: como se não estivesse sendo vivida. vou empurrando, adiando, sonhando, planejando. e realizo tão pouco.
às vezes acordo e me pergunto como foi que cheguei até aqui. qual foi a correnteza que desaguou nesse lugar. e não quero continuar com essa sensação. não quero que esse desespero de não saber por onde andei se agrave.
tenho tantos sonhos. e a maior parte deles é perfeitamente realizável. não quero mais adiá-los. quero um dia olhar pro passado e ter certeza dos passos que dei, com firmeza de ter dado o meu melhor. de ter feito o que quis fazer. de ter propriedade sobre o meu presente, quiçá sobre alguma parte do meu futuro. tomar como minha a vida que escolhi ter.

a zona de conforto é um lugar perigoso



há dias que parecem calos na vida da gente, e então você se sente como se não devesse esperar mais nada. e isso me irrita profundamente porque eu fico a espera de mim.

quero que algo me faça ter coragem de transformar qualquer coisa simples, quero conseguir ir atrás de todas aquelas promessas do começo do ano retrasado, sinto que acumulo muita coisa e que deixo de fazer por ficar pensando em como seria se eu fizesse.

sinto que preciso me encontrar, porém nem ao menos sei onde me perdi. sei que preciso começar, só não sei por onde. meu começo se camufla no tempo que me ilude, como se deixar para depois fosse mais fácil, uso a desculpa de estar me preparando embora na verdade não estou nem um pouco preocupado.

se não sei em que rua atravessar fico parado olhando pros lados em vez de olhar para dentro. me indigno quando penso que não consigo acompanhar a minha vida, por isso acho que sou fraco demais, instável demais, fútil demais e talvez seja mesmo, e você também – o que irá nos diferenciar é nosso gosto musical.

então decido parar de planejar uma corrida atrás do meu próprio rabo, pois eu me desgasto inutilmente quando acho que amanhã acordarei sendo outra pessoa. tropeço em meus próprios pensamentos. agora sei que não preciso me esperar, apenas me acompanhar. e quem disse que você precisa ir por um caminho já traçado? a acomodação vem quando você desiste de ver o mundo como teu.


um vazio rodeado de dores

senti muita coisa e faltaram palavras. fiquei algum tempo lendo textos do caio fernando abreu, ele sempre diz por mim o que preciso. achei que encontraria algum trecho que pudesse copiar e colar aqui, e o meu recado seria dado à mim mesmo. mas não. talvez haja sim um trecho, um texto. dele ou de outra pessoa. mas não é assim que se 'enfia o dedo na garganta'.


a vida tem sido generosa comigo. como se toda aquela história de 'um dia por cima, outro por baixo', 'tudo tem sua hora', 'a vida é uma roda-gigante' fizesse sentido. como se todas essas coisas que nos dizem por falta do que dizer (por medo de encarar o que é feio, por esperança colorida à mão de verde claro, por falta de interesse no sofrimento de outrem) fossem verdades..

ainda me incomoda a sensação (quase uma certeza, na verdade) de que não se pode ter tudo. o que quer que seja menor que isso é tão pouco... e não é permitido ir além. como naquela história maluca de duas pessoas nuas num paraíso, com quase tudo que há de se querer e uma proibição idiota. um fruto, um significado, uma serpente que induz ao querer, ao desejo. e então comete-se um pecado. o pecado da saciedade: um miolo de euforia imensa rodeado de pétalas robustas de dor.


existe o céu, a terra, os animais, as pessoas, e existe tudo aquilo que não podemos ter. minha urgência nunca pôde ser limitada. não tem nem um nome, por que teria fim? 
prefiro dois pássaros voando à um na mão. prefiro me sufocar com minha pressa, me afogar na minha tempestade, ter medo do meu reflexo e das minha sombras. mas que não me seja imposto um limite, um fim, uma escolha entre o que quero e o que também quero.

eu perco o controle fácil demais, me deixo levar pelas querências que me tomam e atropelo o que de bom me acontece. o meu miolo acaba antes das pétalas, que vão caindo uma a uma.

sou (meio) ausente até de mim

eu já tenho o meu inferno particular, você não consegue ver? tudo isso que eu deixei de fazer, tudo que deixei de falar, todas as coisas que engoli. tudo. é tudo isso que dói e faz o meu estômago dar um nó, todas as noites. não, não é gastrite. essa dor vem das minhas faltas. como quando me perguntaram se aquilo era um pedido pra voltar e eu fiquei mudo, esperando que algum santo respondesse que sim. ou quando me perguntaram se eu estava apaixonado e eu neguei, neguei com todas as forças mentirosas que habitam a minha alma. ou quando me perguntaram se a noite tinha sido boa e eu apenas respondi que tinha sido normal, mas na verdade, queria ter dito que foi incrível e enriquecer com detalhes. ou quando me perguntam se eu estou bem e eu sempre respondo que sim, mesmo querendo explodir o mundo, chorar até soluçar, bater a cabeça na parede. sim, estou bem. se tem alguma coisa que me dói? tem, claro que tem: o estômago. 

quando os dias parecem semanas

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tem hora que eu me pego rabiscando algum canto, de alguma folha e pensando em tudo que eu poderia estar fazendo, mas estou preso em alguma situação. o outro é sempre mais livre, já percebeu? não aguento mais esses corpos gelados servidos com alguma bebida quente. não me venha com desesperos, já tenho as minhas angústias e elas me bastam. estou precisando do caos urbano. só isso: pertencimento, lar. estou sem paciência pra ouvir, pra ler, pra esperar. estou sem concentração, sem meias palavras, sem sutileza. estou sem vontades, sem delicadezas, sem estratégias. e como rubem alves insiste em gritar dentro de mim, faço dele as minhas palavras: 'a saudade é a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar.'

preso em mim

e lá está você fazendo tudo errado novamente. imaginando coisas, fantasiando outras, pensando e se torturando. lá está você, novamente, colocando os cavalos à frente da carroça. tropeçando, caindo, doendo. lá está você querendo dizer muitas coisas e não soltando uma só palavra sequer. lá está você de frente pro abismo só pedindo pra que te empurrem. para, olha e sabe que está tudo errado. e lá está você querendo ajuda, mas sem ter pra quem pedir, sem saber como pedir. e lá está você, sendo apenas você, novamente. e sofrendo as consequências que essa intensidade sempre causa.

frustrado

fiz de novo, tive expectativas. mesmo sabendo que não se pode esperar nada de terceiros, mas eu esperei e até parece que ia dar certo.

Sobra tanta falta

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estou precisando me rodiar de pessoas que se importam comigo, ou que pelo menos lembrem que eu existo. sem mais.

carta aberta para thaee II

voce sempre foi forte, ou pelo menos sempre achou isso. me diz, como você chegou nesse estado deplorável? sentado na frente desse computador tentando escrever algo decente mesmo sabendo que ninguém se importa. ouvindo "olhos vermelhos", a mesma música que você ouve a anos quando fica triste. acho que caio fernando abreu te daria um tapa na cara se te pegasse assim, te chamaria de mocinha e ainda diria: "é tolo chafurdar em pântanos de depressão com pouco mais de 20 anos, você não acha?".

a cada dois parágrafos você para faz alguma gordisse porque não está bem. Tá gordo, feio, acabado e tá comendo. você sempre se sentiu como o dono do mundo, por que não volta a ser como era?
está sempre dependendo de alguém, sempre querendo um ombro, um colo... porra, vai te catar.

lembro de quando você ganhou o seu primeiro par de patins e se achou o dono do mundo. lembro de quando você beijou a primeira garota e lembro que foi naquele parque de diversões com seu amigos da escola olhando.... e ficaram falando disso a semana toda, você sorria. mesmo naquela época sabia que isso era fútil, mas quem não gosta de um alimento pro ego, não é mesmo?

lembro daquele seu caderno cheio de desenhos e projetos de casas, e quando passava semanas construindo uma cidade no seu quarto imaginando um dia fazer isso de verdade. onde estão essas coisas que você ostentava tanto?

sabe do que eu mais sinto saudades? daquele seu orgulho inabalável. que te fazia ter um ar de prepotência e arrogância. pelo menos naquela época você era feliz com o que você era.

maldita foi a hora em que você começou a pensar nas coisas e ver a mediocridade disso tudo. pra que pensar? você não estava feliz? estava, estava sim, seu filho da puta. não adianta chorar não, sem drama, por favor. não aguento mais isso. pare de desejar não acordar sempre que vai dormir e volte a ser o merda egoísta que você era.
 
"parei de pensar e comecei a sentir... nada como um dia após dia, uma noite, um mês. os velhos olhos vermelhos voltaram de vez."

atenciosamente, thaee.

e o que tem para a colher?

Enquanto isso na maior sala de desocupados do mundo:


@_thaee diz:
dizem que pra todo garfo há uma faca, mas eu me sinto uma colher.

@SpacekVictor  diz:
Na Italia come-se macarrão com Colher e Garfo... #fikdik


@_thaee diz:
antes ser uma uma colher solitária do que ter que dividir meu garfo com uma faca vadia.

que viadisse...

ah, esse coração!


a piada do meu coração é que ele se apaixona fácil, apega-se à aquele alguém pelo qual recebe mais atenção, encanta-se com os variados olhares, irradia-se com aquele sorriso a cada manhã, admira-se com uma atitude amável ao seus olhos e até se derrete por inteiro só da presença, mas a graça consiste ai, porque este coração pode ser assim, todo fácil, mas quando se deixa roubar por alguém, não permite que o dono entregue a chave. assim, engana quem pensa que o tem em mãos, quando na verdade, não tem.

Quando quem é importante se vai

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Uns meses atrás minha melhor amizade parou de acontecer e eu não me senti avontade pra falar sobre isso com ninguém. Quando a idéia de desapegar surge, me dá um frio no estomago. É como se tivesse arrancando algo de dentro de mim. É um pouco estranho, um pouco triste, um pouco vazio. Quando nos acostumamos com alguém, nunca queremos que esse alguém vá embora.Queremos por perto, queremos cuidar e dar o melhor que existe em nós. Só que isso, isso acaba!

Não porque queremos, porque nunca queremos perder uma amizade ou algo parecido. Mas sim porque as pessoas mudam, os caminhos são diferentes. E então quando a mudança surge e chega a hora de cada um seguir seu caminho você leva um choque. É assustador, mas muita das vezes é necessário.

Então no começo de tudo, você sente falta daquela presença que agora está completamente ausente, só não está mais porque em seu pensamento e em seu coração ainda restou marcas desse alguém. E cada vez mais que os dias passam, a saudade aumenta ,sufoca e a tristeza acompanha de alguma forma, e não existe nada que você possa fazer porque o seu orgulho não quer deixar você correr atrás. Mas vai ver você está tão cansado de correr atrás de algumas pessoas que prefere deixar voar pra saber se algum dia irá voltar ou se fora para sempre.

Aos poucos toda essa falta vai se diminuindo, você começa a se acostumar com a possibilidade da distancia e depois de algum tempo aquela saudade que você sentia já está tão desgastada que acaba deixando de fazer a diferença dentro de você, deixa de incomodar. Você ainda pode a sentir, mas é só o restante do amor que ainda ficou.

* E na playlist da saudade: Illegal - Shakira

Com os relacionamentos anteriores aprendi?

Sempre que via essa pergunta no Orkut, ficava pensando na profundidade da verdade. Me perguntava se alguém tinha, efetivamente, me ensinado alguma coisa e respondia: "Hmm... acho que nada, né!?"

Hoje, com os relacionamentos anteriores aprendi:

Aprendi que não se julga por excessões, mas pela vivência do dia a dia;
Aprendi que ter objetivos é importante, quaisquer que sejam eles;
Aprendi que eu preciso de espaço, e que não é muito espaço;
Aprendi que existe mundos além do meu;
Aprendi que a gente sempre vai precisar de alguém, e que não tem nada de mau nisso;
Aprendi que as pessoas são diferentes, e que cada uma tem a sua verdade, única e real;
Aprendi que eu tenho os meus limites;
Aprendi que, além de tudo isso, existe o outro, com tantas necessidades quanto eu, iguais ou não;
Aprendi a ser exatamente como eu sou.

Enfim, eu aprendi que não devo responder o que alguém me ensinou, mas o que eu aprendi fazendo meus próprios juízos.

Bom, pela primeira vez eu consegui responder.

Quando eu morria

Fingindo de morto
Quando eu era criança gostava de brincar de morrer. Simulava uma morte e morria aos poucos
ia fechando os olhos lentamente. Dai ficava ali morto esperando que alguém  notasse minha morte, quase nunca notavam e conclui que não era bom em morrer.

O que mais me impressionava quando eu morria é que, apesar de morto a vida continuava acontecendo lá fora apesar de minha ausência tudo continuava igual, o programa na televisão passando, a comida na panela que continuava a cozinhar, as pessoas da casa seguiam  nos seus afazeres indiferentes à minha morte.

Hoje ainda morro de vez em quando e pouca gente percebe, é interessante como na morte as pessoas desaparecem deixam de existir e a vida continua pra maioria. Isso prova que são poucas
as pessoas importantes na nossa vida e que realmente nos fariam falta.

Morra um mês e descubra quem notou, provavelmente são essas as que importam.
Sinto que as pessoas ao meu redor estão morrendo. Parece que consigo ver a vitalidade escorrer no ritmo do ponteiro do relógio. É uma sensação estranha. As pessoas são vuneráveis. Suas vidas, passageiras. E não há nada que se possa fazer ou prever.
Dá para aceitar que as pessoas se vão, mas o fato é que por alguma razão sádica eu tenho as imaginado morrendo a cada segundo que penso/falo com elas.
Não quero perder as pessoas que amo. E conviverei o mínimo possível com quem começo/comecei/começaria a me apegar. Pode parecer doentio, mas acho que é o que eu preciso no momento.

Só não perde quem não tem

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lembro de quando meus sonhos iam mais alto do que eu podia ver. me lembro também de quando eles ficaram num poço tão fundo que eu não queria ir atrás deles. e quando me falaram que eu não os conseguiria? doeu tanto. me falaram também que eu conseguiria, tentei e não consegui. não que eu tenha desistido, mas deixei em espera pra voltar neles assim que eu me ajeitar.
 
é clichê falar de sonhos dessa forma? foda-se, são minhas lembranças.